Lançamento da 1ª Pedra da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Faro-Olhão | Águas do Algarve

Lançamento da 1ª Pedra da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Faro-Olhão

Decorreu em Faro, no dia 31/10/2016, a Cerimónia que pretende marcar o Lançamento da 1ª Pedra, da futura ETAR de Faro, Olhão. Presidida pelo Secretário de Estado do Ambiente – Carlos Manuel Martins. Estiveram ainda presentes, o Presidente da Águas de Portugal – João Nunes Mendes, Presidente da Águas do Algarve – Joaquim Peres, e os dois Administradores Isabel Soares e Jorge Torres, para além dos Presidentes das Câmaras Municipais de Olhão – António Pina, S.Bras de Alportel – Vitor Guerreiro, e a Vereadora Teresa Correia que representou o município de Faro, entre várias outras individualidades.

Para além da Assinatura do Auto de Consignação entre a Águas do Algarve e o Consórcio constituído pelas empresas Oliveiras, S.A. e Acciona Agua, S.A., houve uma apresentação técnica de todo o projeto, bem como a visualização de um Filme em formato 3 D que espelha aquela que será a futura ETAR.

 

Trata-se de uma Empreitada que pertence ao Sistema Multimunicipal de Saneamento do Algarve, cujo projeto é de “Conceção-Construção da ETAR de Faro-Olhão

Atualmente, parte significativa das águas residuais geradas na cidade de Faro são tratadas na ETAR de Faro Nascente, localizada a cerca de 2,5 km a Este da povoação, no concelho de Faro e parte significativa das águas residuais produzidas na cidade de Olhão são tratadas na ETAR de Olhão Poente, localizada a cerca de 1 km a Oeste da cidade, no concelho de Olhão.

Estas infraestruturas de tratamento encontram-se subdimensionadas face às condições de afluência (qualitativa e quantitativa) atuais e assentam em sistemas de lagunagem, que se revelam desadequados face aos níveis de qualidade agora exigidos para o efluente tratado a descarregar no meio recetor, respetivamente a Ria Formosa.

Neste contexto, foi elaborado o Estudo Prévio do Sistema Intermunicipal de Interceção e Tratamento de Águas Residuais de Faro e Olhão, tendo-se concluído que a solução técnico-economicamente mais vantajosa corresponde à construção de uma única ETAR – futura ETAR de Faro-Olhão – no local da atual ETAR de Faro Nascente, com a consequente desativação das atuais ETAR de Faro Nascente e ETAR de Olhão Poente e ligação do subsistema de saneamento de Olhão Poente à nova ETAR, mediante a construção de um Sistema Elevatório.

Importa referir que estas instalações de tratamento também emanam um odor muito ativo, em certas épocas do ano, que penalizam os estabelecimentos hoteleiros e habitações construídas nas proximidades das mesmas.

O investimento relativo à construção da futura ETAR de Faro/Olhão, assentará numa empreitada sob o figurino de conceção-construção.

No Subsistema de Faro Nascente o investimento previsto resume-se às intervenções a realizar na atual ETAR de Faro Nascente, a qual seria objeto de reforço e ampliação, de modo a integrar as afluências dos aglomerados populacionais de Estoi, Conceição, S. Brás de Alportel e zona Poente de Olhão”, e à construção de um sistema elevatório de forma a desativar a ETAR de Olhão Poente, integrando os seus efluentes na ETAR de Faro Nascente,

Por outro lado, por forma a dar cumprimento ao Despacho n.º2227/2013, de 7 de fevereiro dos Ex.mos Senhores Secretário de Estado do Mar e Secretário de Estado do Ambiente do Ordenamento do Território, que aponta como medida de proteção e melhoria constante da qualidade da água da Ria Formosa e controlo dessa mesma qualidade, no que respeita à contaminação fecal quer por via difusa quer por poluição tópica, a desativação e integração num novo sistema de tratamento Faro-Olhão, onde se inclui a presente empreitada e também dar cumprimento ao normativo de descarga imposto na Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da nova ETAR, o custo do investimento global estimado para a execução destas medidas, que se materializarão na Construção da ETAR de Faro-Olhão e do Sistema Elevatório de Olhão-Faro, ultrapassa os 21 milhões de euros, não incluindo o imposto à taxa legal em vigor.

O referenciado investimento é cofinanciado pelo Fundo de Coesão, no âmbito do Programa Operacional Temático Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR).

Investimento elegível: 21.820.023,43 euros
Contribuição do Fundo de Coesão: 18.547.027,57 euros
Taxa de cofinanciamento: 85%

 

A nova ETAR de Faro-Olhão – Tratamento inovador

A construção da futura ETAR Faro – Olhão, surge no contexto de colmatar as limitações dos atuais sistemas de tratamento existentes por lagunagem - a ETAR de Faro Nascente e a ETAR de Olhão Poente - designadamente para fazer face aos níveis de qualidade exigidos no efluente tratado descarregado no meio recetor (ria Formosa).

“A instalação vai tratar as águas residuais de uma população de cerca de 113.000 habitantes equivalentes, pertencentes às cidades de Faro,  Olhão  e S.Brás de Alportel. O caudal diário de tratamento ascende a 28.000 m3 com pontas horárias de até 4.800 m3.”

A nova ETAR permitirá servir uma população equivalente de 113.200 habitantes, correspondendo ao caudal médio diário de 28.149 m3/dia. Ao nível da solução adotada contemplará na fase líquida as etapas de tratamento preliminar, biológico, e desinfeção, possuindo ainda uma desinfeção adicional para produção de água de serviço.

O tratamento preliminar contempla as seguintes operações unitárias:

  • Medição de caudal e receção do afluente bruto no poço inicial de grossos
  • Gradagem e tamisação
  • Desarenamento/desengorduramento
  • Equalização/homogeneização de caudais

O tratamento biológico será efetuado em sistema GSBR (Granular Sequencing Batch Reactor), mediante o processo NEREDA®, podendo até 60% do efluente, após tratamento biológico, ser sujeito a filtração de areia- solução Leopold®. O efluente antes de ser descarregado no meio recetor é desinfetado através de um sistema de desinfeção por ultravioletas (UV). Parte do efluente tratado é sujeito a uma desinfeção adicional, com vista à produção de água de serviço.

Assente nas mais recentes tecnologias, a ETAR de Faro-Olhão marca um novo paradigma na conceção de instalações deste tipo:

Tratamento biológico inovador: a tecnologia Nereda® de grânulos aeróbios permite diminuir o volume global de construção, reduzir as emissões de carbono da ETAR e contribuir para a sustentabilidade global da instalação”.

A fase sólida do tratamento inclui espessamento gravítico, desidratação de lamas por centrifugação, e armazenamento temporário, em silos.

Relativamente ao tratamento de odores, o ar das etapas de tratamento mais odoríferas é captado e tratado num sistema por lavagem química.

O tratamento biológico na ETAR Faro-Olhão será realizado através de uma tecnologia de tratamento inovadora – sistema NEREDA®, patenteado pela Royal HaskoningDHV – que consiste na utilização de reatores biológicos, alimentados descontinuamente, em que, através de aspetos específicos de projeto e de controlo processual, se promove o desenvolvimento de grânulos aeróbios com diâmetros até cerca de 2 mm, que apresentam elevadas velocidades de sedimentação. Estas estruturas granulares são constituídas por diferentes consórcios microbianos que atuam a nível da degradação da matéria orgânica e da remoção de nutrientes.

O sistema NEREDA®, em linhas gerais, compreende o funcionamento por ciclos nos reatores de acordo com as seguintes etapas:

  • Enchimento do afluente e descarga do efluente em simultâneo
  • Arejamento da biomassa granular
  • Decantação rápida da biomassa granular

Esta tecnologia oferece inúmeras vantagens relativamente aos sistemas convencionais de lamas ativadas, designadamente:

  • Redução significativa da área de implantação, atendendo à integração de todos os processos biológicos (remoção da matéria orgânica/nutrientes e decantação secundária) num único órgão.
  • Redução do consumo de energia, devido à menor utilização de equipamentos e às menores necessidade de arejamento da biomassa granular, minimizando assim os consumos energéticos e, consequentemente, os custos operacionais.
  • Redução da pegada, como resultado de uma estrutura de construção civil compacta.
  • Elevado grau de depuração das águas residuais.

A ETAR de Faro-Olhão disporá assim de sistema de tratamento inovador e tecnologicamente avançado que permite alcançar elevados níveis de tratamento com a menor pegada possível, contribuindo assim para a sustentabilidade técnica, económica, ambiental e social da região em que se insere.